quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

AUTOMATISMO

--I--


Compor sem sofrer
É ser AUTÔMATO em  estado puro
E, nessa condição, a linha de montagem
que nos é imposta,
produz ANTICORPOS contra a arte
e nos impede de existir,

--II--

A HODIERNA sequência de ideias
tinge as ruas de CHUMBO
nossas juntas não gozam de absurdo
e os meus passos não mais são ERRANTES
não haverá, portanto,
a SIMPLÓRIA riqueza que havia antes

--III--

E a raridez da PERFEIÇÃO se extingue
sendo mera fluidez cotidiana.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

POEMA DE UM SÓ RAIO

Detêm-se o meu planeta
no poema de um só raio
cujo autor é a luz do meu desmaio.
Guerras e enfermos constituem
o problema.
Velozes são seqüências do cinema
Em que se busca, na verdade,
apenas um milagre:
Declina-se a oferta de um
desfecho para a morte.
Demanda-se um povo que
decline a boa sorte.


INSÔNIA



Insistente, a palavra vai à noite
em busca do herdeiro do anti-sono.
A garganta-escarro interrompe
a formação do berro,
tão esperado entre os insones,
cujo fechar de olhos é pura inconsistência
tal como o sereno noturno
que repercute no lago adormecido,
e afasta o que resta do sossego.
O poema incorpora o estigma
De quem sente paz na balbúrdia
e este relento se mantém intermitente
entre o caminho do peito e da boca-ausente.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

REFLEXÃO SOBRE O CINEMA

O cinema, por sua sombra tenaz,
iguala, tanto quanto a morte,
os que se subjugam ao seu ar etéreo
e em seus flancos,
cuja mais nobre função
é ocultar os contidos
e libertar os incontidos,
se esconde a consciência do sonho
que permanece solta
e joga-se ao sabor das imagens
desenhadas na tela.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

VISITA ILUSTRE

Visita-me o sentimento mais nobre
 amparado por esperança combalida,
porque sofre um profundo desespero.
Não hei de citá-lo de nenhuma forma,
nem mesmo em uma canção popular
não se trata também de seu obituário,
Mas seu estado inspira repouso
Já que agora não se pode menciona-lo
E senti-lo se tornou impossível
Porque tal atitude é mero desgaste
É vagar no deserto cuja margem
Não é possível alcançar com a vista
E ainda que insista nessa vontade
Trata-se de linguagem antiga
Em desuso e há muito esquecida
O padrão da linha de montagem
Não se confunde nem recorda
Qualquer mínimo detalhe desse idioma
E a soma desses fatores não remete
A uma lógica definida pela natureza
Ou inventada por qualquer humanidade
Os sinais dessa forma de comunicação
Perderam a vontade de se comunicar
Preferem ficar reclusos para sempre
Tanto que conseguiram surpreender
Com o calor dessa repentina visita
Que se tornou insensível para muitos

Mas que ainda consegue me alcançar

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Poema XI

Agora só me resta o desperdício
Ao escrever sobre o Amor:
Vou fazê-lo de forma desleixada
Como se o azar do cego fosse,
De súbito, perder o tato.
De fato, são cretinas as táticas
E os meneios,
Uma vez que, neste poema
O Amor é criado por lobos.
Radicado em um quarto escuro
Cuja dimensão não abriga nem um vírus
E a psicopatia dessa escrita
É uma febre induzida.
Um vômito verbal causado a pulso
Tal como são gerados todos os sentimentos.