sábado, 6 de outubro de 2007

O Mestre de obras

I-Cabral (engenheiro)

O engenho Cabral
extrai da palavra beleza
o seio mais amplo.
Em papéis cuja longa cercania
pauta o verbo finito.
Nascente aos poucos se apouca
e o caminho inverso se dá.
Moenda do sonho oculto
O melaço mais doce que há.

II-Drummond (arquiteto)

O seu olhar perene
Transborda arrojo
Inteira se vê nessa planta
A tortura da linha baldia
por que se guia todo dia
na sua obra torta.

III-J. Souza (o mestre de obras).

Cabe a mim ser mais que operário,
Pouco mais que um subalterno
cujo conforto será o beijo do vento
E enquanto eu ladrilho um caminho
ou orquestro um lajedo
Os mínimos se fazem mimos
para ilustrar todo o meu ser
Embora, como mero operário,
Não me caiba maiores salários
Em relação aos de quem subordino
Supõe-se, no entanto, que edifico,
A excelência, todavia, não sabe que existo

Poema XVI

Refuta meu prazer em demasia
Indolente pelos passos do caminho
Aprisiona-me a vontade da palavra
Pois lhe digo quão finito é o verbo
Gramático poder sempre restrito
Já que este não exprime um espinho
Além daquele que há pouco externava.