Nada sensível é sentido
quando se espera a luz
que provém da minha escrita
e toda claridade inaudita
produz as palavras que eu digo
O mundo que, por ventura, eu proclamo
não clamo por índole própria
e o direito de outrem eu digno
na forma autoral que eu componho
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
sábado, 6 de outubro de 2007
O Mestre de obras
I-Cabral (engenheiro)
O engenho Cabral
extrai da palavra beleza
o seio mais amplo.
Em papéis cuja longa cercania
pauta o verbo finito.
Nascente aos poucos se apouca
e o caminho inverso se dá.
Moenda do sonho oculto
O melaço mais doce que há.
II-Drummond (arquiteto)
O seu olhar perene
Transborda arrojo
Inteira se vê nessa planta
A tortura da linha baldia
por que se guia todo dia
na sua obra torta.
III-J. Souza (o mestre de obras).
Cabe a mim ser mais que operário,
Pouco mais que um subalterno
cujo conforto será o beijo do vento
E enquanto eu ladrilho um caminho
ou orquestro um lajedo
Os mínimos se fazem mimos
para ilustrar todo o meu ser
Embora, como mero operário,
Não me caiba maiores salários
Em relação aos de quem subordino
Supõe-se, no entanto, que edifico,
A excelência, todavia, não sabe que existo
O engenho Cabral
extrai da palavra beleza
o seio mais amplo.
Em papéis cuja longa cercania
pauta o verbo finito.
Nascente aos poucos se apouca
e o caminho inverso se dá.
Moenda do sonho oculto
O melaço mais doce que há.
II-Drummond (arquiteto)
O seu olhar perene
Transborda arrojo
Inteira se vê nessa planta
A tortura da linha baldia
por que se guia todo dia
na sua obra torta.
III-J. Souza (o mestre de obras).
Cabe a mim ser mais que operário,
Pouco mais que um subalterno
cujo conforto será o beijo do vento
E enquanto eu ladrilho um caminho
ou orquestro um lajedo
Os mínimos se fazem mimos
para ilustrar todo o meu ser
Embora, como mero operário,
Não me caiba maiores salários
Em relação aos de quem subordino
Supõe-se, no entanto, que edifico,
A excelência, todavia, não sabe que existo
Poema XVI
Refuta meu prazer em demasia
Indolente pelos passos do caminho
Aprisiona-me a vontade da palavra
Pois lhe digo quão finito é o verbo
Gramático poder sempre restrito
Já que este não exprime um espinho
Além daquele que há pouco externava.
Indolente pelos passos do caminho
Aprisiona-me a vontade da palavra
Pois lhe digo quão finito é o verbo
Gramático poder sempre restrito
Já que este não exprime um espinho
Além daquele que há pouco externava.
domingo, 2 de setembro de 2007
Poema breve
Sucumbe o verso quando quero vivê-lo
Tão-somente por desvelo
Por sua vez, o teto, cuja pele é um novelo,
cai sobre todas as cabeças.
Tão-somente por desvelo
Por sua vez, o teto, cuja pele é um novelo,
cai sobre todas as cabeças.
sábado, 25 de agosto de 2007
O Significado das idéias
Se restasse uma idéia
Dela faria um monumento
Estigma transformado em chama
Algo a que pudesse confiar à vida
Todo um universo que resplende
A matéria seria um poema vivo
Cujo corpo é uma chave etimológica
Existente em cada ser.
Dela faria um monumento
Estigma transformado em chama
Algo a que pudesse confiar à vida
Todo um universo que resplende
A matéria seria um poema vivo
Cujo corpo é uma chave etimológica
Existente em cada ser.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Natural e inevitável
A tragédia quanto mais patente.
Mais inevitável
Se estiveres entre dois amigos
Existem várias possibilidades:
Irás chorar o partir de ambos,
Talvez antes de ti
um seja esmagado pelo céu
enquanto o outro sobreviva
e viva muitos anos após tua partida
Quem sabe te desprendas antes
do término do dia
e agora não sejas mais que um tolo
quando quiseste ser o mais longevo de todos
Mais inevitável
Se estiveres entre dois amigos
Existem várias possibilidades:
Irás chorar o partir de ambos,
Talvez antes de ti
um seja esmagado pelo céu
enquanto o outro sobreviva
e viva muitos anos após tua partida
Quem sabe te desprendas antes
do término do dia
e agora não sejas mais que um tolo
quando quiseste ser o mais longevo de todos
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