quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PRÓTESES

 

Por sua própria natureza,
O poema não pode ser vendido,
Pois é legítima prótese para o SENTIDO
E um novo RITMISTA para o bater do peito
Justificativa perfeita,
Já que os efeitos descritos
Não se compram, apenas se fazem SENTIDOS.
De modo que o contexto de um poema
Embora INVENDÁVEL
PERMUTA sentimentos irrestritos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O BOM USO DA PALAVRA

O poder jurisdicional da palavra
cujos limites se conhece e se lamenta
não prescindem de larga escala
mas necessitam de profunda homeopatia
 para que realizem o desejo esperado.
E esse medicamento aplica-se ao dano d’alma
Efeito reparador que não se pode medir
E nem ao menos é possível prever
Após a inserção é preciso aguardar
Para que o sentir de cada um se harmonize
E ocorra qualquer gesto inesperado
Já que a palavra não merece outro uso
No seu brando poder julgador
A quem cedemos nesse novo contrato
A solução desse íntimo conflito

Que só a linguagem é capaz de resolver



sábado, 24 de setembro de 2011

PINTURA ATROZ


-- I --

 

É preciso AUSCULTAR a sua lide
E toda essa labuta pueril
Para notar a presença da VERDADE
E para tanto não importa o ardil

-- II --

Pois o semblante do céu
Em certas obras que observo
Ganha cores muito OPACAS
E as fêmeas são todas polacas
Acompanhando a LETARGIA do tempo

-- III --


Nessa assembleia tão bizarra
a paz eterna ganha seu assento
cuja amarra se desprende facilmente
A jornada que surge em um ROMPANTE
É repleta de intensa maravilha
E a filha mais bem feita desse sonho
Não repara nas mãos ESTENDIDAS
que PERMEIAM a calçada.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

POEMA ENCARNADO (RECIPIENTE CARNAL)

 


O sopro-irmão cuja 
intensa rispidez já se pressente
instala seu poder e sua profusão
E faz de seu recipiente (que é o meu corpo)
uma metalinguagem autêntica, 
pois o interior da sua carne
já não cabe mais em si
E o furor daquela multidão de gente
se derrama inconteste sobre mim.