sábado, 24 de janeiro de 2015

LÁ FORA

Parede ilustrada,
Abstrata e desencantada
Um revólver inseguro
Que aponta sem hesitar
Desse lugar veio um verso
Um universo sem espaço
E em meio a tudo isso
Meu tédio gera frutos:
Não posso me atrasar
Para a festa da vida
Por isso, de qualquer jeito,
Sem despeito ou floreio
Foi exposto aqui.
Aquele seio não há,
Pois a fonte secou
A carta permanece lacrada
É vida que pode esperar
O cômodo mais íntimo
Tem esse aconchego
E a língua tem esse recurso
Que faz vida indefinida
Desperdiçar é fácil:
Existem tantas!
Não cabe a mim revelar
Sobre artigos definidos nada sei
Sei que o vínculo não se formou
E que o sopro tem amplitude indefinida
Nesse meio tempo
A arma se prepara por detrás da janela,
Mas permaneço encerrado
Guardando não se sabe o quê
Quero entreter os objetos
Acalentar o vazio desse verso

Que surgiu não se sabe de onde.

DESARMONIA



Aves que permeiam a flora nativa,
Um transplante sem coração,
Ou qualquer órgão
Que vislumbre sentimento bom
Ornamento espontâneo se perde,
Enxotado em debandada se desfaz
Frágil como qualquer exemplo de vida
Sobra esse VERDE inocente
Que evoca um patamar de plástico
E exala o papel moeda
De longe se houve a revoada
Vívida e estridente,
Mas agora tudo é silente
E foi nesse contexto
Que pousei em meu prato
uma (falecida) cédula
Daquelas de UM REAL
Temperei com sal,
azeite e cheiro verde,
Ansiava obter alimento,

mas o dissabor não permitiu.