quinta-feira, 13 de novembro de 2014

FANTASIA DE PÁSSARO



Dedicado a Manoel de Barros

Leio de cabeça pra baixo,
Estou DESLENDO[1],
Minha cabeça em direção ao solo,
Estou DECRESCENDO,
Tudo isso harmoniza como algo normal,
Meditação inventiva,
Recreio imerso em tortura,
Exercício de cores vermelhas,
TODAS ELAS, em várias tonalidades,
Brincar sem maldade,
Lisura de alma,
Vazia como o ABSURDO.
Alguns sonham PASSARINHO,
Eu também fiz pássaro: MORCEGO,
Incomum, é verdade,
Mas mesmo assim, POSSO VOAR!




[1] BARROS, Manuel de: Livro sobre nada, p. 30, Editora Record, 3a edição, 1996

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